Desde o início, este é daqueles títulos que pedem companhia. Decisões em grupo, discussões sobre o que fazer a seguir, aquele clássico “não abras essa porta” enquanto alguém inevitavelmente a abre. Vindo da Supermassive Games, criadores de Until Dawn, as expectativas estavam naturalmente altas.
E The Quarry cumpre em muita coisa. Só não acerta em tudo.
Uma narrativa digna de um slasher clássico
A base do jogo é exatamente aquilo que se espera, um grupo de jovens isolados, um ambiente estranho e uma sensação constante de que algo vai correr muito mal.
A história segue a fórmula dos filmes de terror mais clássicos, mas faz isso com confiança. Não tenta reinventar o género, tenta executá-lo bem. E na maior parte do tempo, consegue.
Existe um ritmo consistente, momentos de tensão bem construídos e uma narrativa que te prende. É fácil entrar no espírito do jogo e aceitar tudo aquilo como uma experiência interativa de terror.
As personagens também ajudam nesse aspeto. Cada uma tem a sua personalidade e ao longo da história vais criando uma ligação, seja para as proteger… ou para aceitar que algumas decisões vão correr mal.
Decisões que nem sempre parecem tuas
Como seria de esperar, a jogabilidade gira em torno de escolhas.
Exploras, interages com o ambiente e tomas decisões que moldam o rumo da história. A ideia é clara, cada jogador vive a sua versão da narrativa. O problema é que, em certos momentos, isso não parece totalmente verdade.
Há decisões que parecem ter pouco impacto real. Independentemente da escolha, o resultado acaba por ser semelhante, o que reduz um pouco a sensação de controlo.
Mais frustrante ainda são os momentos em que escolhes uma coisa e a personagem faz outra completamente diferente. Situações em que tentas confortar alguém e acabas por dizer algo insensível não são apenas imprevisíveis, são desconectadas da intenção do jogador.
Essa imprevisibilidade podia ser interessante se fosse pontual. Aqui, acontece vezes suficientes para se tornar um problema. Em vez de aumentar a tensão, começa a quebrar a confiança no sistema.
Produção sólida que eleva a experiência
Visualmente, The Quarry está num nível muito bom.
Os modelos das personagens, as expressões faciais e o detalhe dos cenários ajudam a criar uma experiência muito próxima de um filme interativo. Há um cuidado claro em tornar tudo o mais cinematográfico possível.
A atuação dos atores é outro ponto forte. As performances são consistentes e ajudam a dar credibilidade às personagens, tornando mais fácil envolver-te emocionalmente na história.
A banda sonora cumpre bem o seu papel, embora nem sempre encaixe perfeitamente em todos os momentos. Ainda assim, contribui para a atmosfera geral.
Uma experiência pensada para partilhar
The Quarry brilha especialmente quando jogado em grupo.
Tomar decisões em conjunto, discutir consequências e reagir aos momentos mais intensos transforma completamente a experiência. É o tipo de jogo que ganha outra vida quando partilhado.
Mesmo com algumas falhas, consegue manter o interesse e criar momentos memoráveis, especialmente quando ninguém concorda com a decisão que acabou de ser tomada.
Veredicto
The Quarry é um jogo de terror sólido, com uma narrativa envolvente e uma produção de qualidade.
Não atinge totalmente o nível de Until Dawn, principalmente devido às inconsistências nas escolhas e à forma como algumas decisões são executadas. Ainda assim, consegue oferecer uma experiência divertida, especialmente em grupo.
Para fãs do género, é uma recomendação fácil. Só não esperes ter sempre o controlo total da tua própria história.
FINAL SCORE: 8.4/10
Plataforma de Review: Xbox Series S
