Assassin's Creed Shadows | Sombra e Força Bruta

Entre tradição e reinvenção, a série visita novos ares no Japão Feudal.

Uma das primeiras coisas que me apanhou completamente desprevenido foi a presença de personagens portuguesas — e não só como easter eggs ou referências rápidas. Têm peso real na narrativa e ajudam a dar uma camada extra de autenticidade e ligação histórica que não estava à espera de ver tão bem explorada.

O duo de protagonistas, Yasuke e Naoe, é facilmente um dos pontos mais fortes do jogo. Funciona mesmo. De um lado tens Yasuke, um verdadeiro tanque para quem prefere entrar de frente, partir tudo e dominar o combate. Do outro, Naoe, uma shinobi pura, feita para uma abordagem furtiva, estratégica e mais tradicional dentro daquilo que é Assassin’s Creed. O melhor? O jogo raramente te obriga a escolher — dá-te liberdade para jogar como quiseres, quando quiseres, o que torna a experiência muito mais fluida e pessoal.

O combate está extremamente sólido. Responsivo, impactante e satisfatório, tanto em stealth como em confrontos diretos. Nota-se um refinamento claro da fórmula.

Visualmente, o jogo é simplesmente soberbo. O Japão Feudal aqui apresentado é vivo, detalhado e incrivelmente imersivo. Joguei em duas setups completamente diferentes — na Lenovo Legion Go S em modo portátil e depois ligado a um projetor — e em ambas o desempenho foi exemplar. Sem stutters, sem quedas de frames evidentes. Fluidez total, o que hoje em dia… já não é garantido.

E talvez o mais interessante: nunca fui um grande conhecedor desta fase da história japonesa, mas o jogo conseguiu despertar essa curiosidade. Há algo naquele mundo que te puxa para querer saber mais — e isso não acontece por acaso.

A narrativa mantém o ADN da série, com twists bem colocados e momentos fortes. No entanto, perde-se ligeiramente em alguns pontos devido a uma estrutura de quests um pouco desorganizada. Nada que destrua a experiência, mas é daqueles detalhes que se nota. Ainda assim, continua envolvente do início ao fim.

A soundtrack está num nível altíssimo e encaixa perfeitamente no ambiente do jogo. Já a dublagem — no meu caso joguei com vozes em PT-BR — é das melhores que já apanhei num jogo. Natural, bem interpretada e sem aquele feel artificial que muitas vezes estraga a imersão.

Sobre as críticas ao realismo histórico… honestamente, não fazem grande sentido. Assassin’s Creed sempre foi sobre reinterpretar a história à sua maneira. Não é um documentário. E aqui não é diferente. A inclusão de Yasuke (ou Diogo) como protagonista não só encaixa nesse espírito como traz uma lufada de ar fresco a um cenário que já vimos várias vezes noutros jogos. É uma perspetiva diferente — e isso só beneficia a experiência.

No final, Assassin’s Creed Shadows é um jogo confiante, com identidade e que sabe onde quer chegar. Não é perfeito, mas acerta onde realmente importa.

Nota final: 8.9 / 10
Plataforma de Análise: PC (Lenovo Legion Go S)

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