Poucos jogos chegam com tanto “ruído” à volta como Avowed. Antes mesmo de sair, já estava a ser comparado a The Elder Scrolls V: Skyrim em praticamente todas as plataformas. E isso cria um problema imediato: expectativas desalinhadas com aquilo que o jogo realmente quer ser.
A verdade é que essa comparação, apesar de compreensível à superfície, acaba por ser injusta. Avowed não tenta replicar Skyrim. Não tem a mesma escala, nem a mesma ambição de mundo aberto total. Em vez disso, segue um caminho mais focado, mais controlado e com uma identidade própria bem definida. O problema é que nem toda a gente entrou no jogo com essa mentalidade.
Uma narrativa que segura a experiência
A história é, sem dúvida, um dos pilares mais fortes do jogo.
Sem tentar ser gigantesca ou excessivamente complexa, consegue manter um ritmo consistente ao longo de toda a experiência. Não há aquela sensação de arrasto comum em muitos RPGs de fantasia, onde a narrativa principal se perde no meio de dezenas de horas de conteúdo.
Aqui, a duração mais contida joga a favor do jogo. Mantém o foco, evita dispersão e garante que o jogador se mantém envolvido. Pode não ter o peso épico de outros títulos do género, mas é eficaz naquilo que se propõe a fazer.
Combate que cresce com o jogador
O combate começa de forma simples, mas evolui de maneira interessante.
À medida que novas habilidades são desbloqueadas e os companheiros entram em cena, a experiência ganha profundidade. Passa a haver mais opções, mais sinergias e uma sensação mais clara de progressão.
Essa evolução é importante porque evita que o sistema se torne repetitivo demasiado cedo. Não reinventa o género, mas oferece variedade suficiente para manter o interesse ao longo do tempo.
Um mundo bem construído… com algumas falhas
O world building é um dos aspetos mais positivos.
Os ambientes são ricos em detalhe, com um design que transmite claramente identidade e cuidado. Há momentos em que a exploração se torna genuinamente interessante, não apenas pelo que se encontra, mas pela forma como o mundo é apresentado.
No entanto, essa consistência não se mantém em todos os elementos. Algumas personagens destoam visualmente do resto do jogo, quebrando ligeiramente a imersão. Há uma falta de coesão em certos designs que faz com que nem tudo pareça pertencer ao mesmo universo.
Pequenos detalhes que fazem falta
Há ausências que se notam mais do que deviam.
A falta de um modo fotografia é um desses casos. Num jogo com cenários visualmente apelativos, é estranho não existir uma forma integrada de capturar momentos. Não é algo essencial para a jogabilidade, mas é um detalhe que, hoje em dia, já se espera neste tipo de experiência.
Para além disso, há uma sensação geral de que a componente técnica podia ser mais sólida. Nada que comprometa seriamente o jogo, mas suficiente para impedir que atinja um nível mais elevado.
Um RPG sólido… mas sem ambição desmedida
Avowed não tenta ser tudo ao mesmo tempo.
E isso acaba por ser uma vantagem. Em vez de apostar numa escala massiva, foca-se em entregar uma experiência mais controlada e consistente. Nem sempre acerta em tudo, mas raramente falha de forma grave.
A Obsidian Entertainment entrega aqui um RPG competente, com bons sistemas e uma base sólida. Não é revolucionário, mas também não precisa de ser para funcionar.
Veredicto
Avowed é um jogo que sofre mais com as expectativas externas do que com os seus próprios problemas.
Tem uma narrativa interessante, um combate que evolui bem e um mundo com identidade. Falha em alguns detalhes técnicos e visuais, e podia beneficiar de mais polimento em certos aspetos, mas no geral entrega uma experiência consistente.
Não é o próximo Skyrim. Nunca quis ser.
Mas é um RPG sólido que vale a pena jogar.
FINAL SCORE: 7.4/10
Plataforma de Review: Xbox Series S
