A premissa até podia resultar. Um universo conhecido, personagens reconhecÃveis e espaço para criar algo divertido e caótico, à imagem dos filmes. Mas o que encontramos aqui está muito longe disso. Não há aquele momento inicial que puxa o jogador, aquele “ok, isto pode ser interessante”. Há apenas uma entrada morna que rapidamente se transforma em desinteresse.
Repetição elevada a forma de arte
Se há algo que define esta experiência, é a repetição.
Cada nÃvel parece uma versão ligeiramente reciclada do anterior. Os objetivos não variam, os cenários mudam pouco na prática e a sensação de progresso é quase inexistente. É como se o jogo estivesse preso num loop constante, onde tudo o que fazes já fizeste… várias vezes.
E o problema não é apenas repetir mecânicas. É não evoluir. Não há novas ideias, não há variações interessantes, não há qualquer tentativa de manter o jogador envolvido. Apenas mais do mesmo, vezes suficientes para se tornar cansativo rapidamente.
Combate e IA que nunca chegam a acontecer
O combate existe. Tecnicamente.
Mas falta-lhe impacto, ritmo e, acima de tudo, propósito. Os inimigos não apresentam qualquer tipo de desafio real. Movem-se de forma previsÃvel, reagem lentamente e raramente obrigam o jogador a pensar ou adaptar-se.
A inteligência artificial acaba por ser um dos pontos mais fracos. Não há estratégia, não há pressão, não há momentos que criem tensão. Tudo parece automático, quase vazio, como se o jogo estivesse a acontecer sem grande envolvimento de quem o joga.
Uma apresentação sem alma
O voice acting é… memorável, mas não pelas melhores razões.
As interpretações carecem de energia e emoção, tornando diálogos que já são básicos ainda menos interessantes. Em vez de ajudar a dar vida às personagens, acabam por afastar ainda mais o jogador da experiência.
Visualmente, há alguns momentos ligeiramente mais competentes. Os cenários, em certos pontos, mostram algum cuidado e conseguem oferecer breves pausas visuais no meio do resto. Mas nunca são suficientes para elevar o conjunto. São mais um “ok, isto até está aceitável” do que um verdadeiro destaque.
Curto, mas não o suficiente
A duração do jogo é extremamente reduzida.
E, honestamente, isso acaba por ser uma das poucas decisões acertadas. Uma experiência mais longa tornaria todos os problemas ainda mais evidentes. Ainda assim, mesmo com uma duração curta, há momentos em que parece arrastar-se.
É aquele tipo de jogo que não precisa de muitas horas para se tornar repetitivo. Faz isso em tempo recorde.
Um potencial completamente desperdiçado
O mais frustrante é perceber que havia base para algo melhor.
O universo de Jumanji tem espaço para criatividade, para mecânicas interessantes e para momentos caóticos e divertidos. Mas nada disso é explorado de forma significativa aqui.
Fica a sensação de um projeto feito sem grande ambição, sem identidade e sem vontade de fazer algo memorável. E isso nota-se em praticamente todos os aspetos do jogo.
Veredicto
Jumanji: The Video Game é uma experiência difÃcil de recomendar.
A repetitividade constante, a falta de desafio, a apresentação sem impacto e a ausência de evolução tornam o jogo rapidamente cansativo. Há pequenos sinais de potencial, mas nunca são desenvolvidos o suficiente para fazer diferença.
No final, não é uma aventura inesquecÃvel pelas razões certas.
FINAL SCORE: 2.3/10
Plataforma de Review: PlayStation 5
