Voltar a esta aventura anos depois, agora na versão PC, foi mais do que uma revisita. Foi uma confirmação. Aquele sentimento de “primeiro jogo platinado”, ainda em tempos de confinamento, podia ter sido só contexto… mas não foi. Há aqui algo que resiste ao tempo.
E quando voltas, percebes exatamente porquê.
Uma narrativa que continua a ser o verdadeiro motor
Se há algo que Horizon Zero Dawn faz melhor do que a maioria dos jogos do género, é contar a sua história.
A jornada de Aloy mantém-se envolvente do inÃcio ao fim, não por recorrer a grandes momentos constantes, mas pela forma como constrói o seu mistério. O “Velho Mundo”, a origem das máquinas, a própria identidade da protagonista, tudo é revelado com tempo e intenção.
Mesmo sabendo o que vai acontecer, continua a funcionar. As revelações mantêm impacto porque o jogo não depende apenas do choque, depende da construção.
O worldbuilding é outro ponto forte. A forma como mistura ficção cientÃfica com elementos tribais podia facilmente cair no ridÃculo. Aqui, funciona. E funciona bem. Há uma coerência no universo que torna tudo credÃvel, mesmo quando a premissa é tudo menos isso.
É um daqueles mundos que queres entender, não apenas explorar.
Combate que continua a destacar-se
O combate mantém-se como um dos pilares mais fortes da experiência.
Não é apenas sobre disparar. É sobre observar, preparar e executar. Cada máquina tem padrões, fraquezas e comportamentos próprios, e ignorar isso raramente corre bem.
Enfrentar inimigos maiores, como os Thunderjaw, continua a ser dos momentos mais intensos do jogo. Não pela dificuldade pura, mas pela forma como exige que uses tudo o que tens. Armadilhas, munições elementais, posicionamento… tudo conta.
Na versão PC, esta experiência é ainda mais refinada. A fluidez extra, tempos de carregamento reduzidos e maior precisão ao apontar elevam o combate para outro nÃvel. Sente-se mais responsivo, mais direto, mais controlado.
É um sistema que já era bom… e aqui fica melhor.
Um mundo impressionante… mas nem sempre memorável
Visualmente, Horizon continua a ser um espetáculo.
Florestas densas, montanhas cobertas de neve, desertos vastos e ruÃnas tecnológicas criam um mundo com identidade forte. A direção de arte continua a ser um dos seus maiores trunfos, e a versão PC só reforça isso com melhorias claras em iluminação, texturas e distância de visão.
Há momentos em que simplesmente paras para olhar. E isso, por si só, já diz muito.
Mas nem tudo acompanha esse nÃvel.
O open world, apesar de bonito, nem sempre é estimulante. Há zonas onde a exploração perde força, onde atravessar grandes distâncias se torna mais rotina do que descoberta. Muitas atividades secundárias seguem fórmulas já demasiado conhecidas.
Falta, em certos momentos, aquele fator surpresa. Aquela sensação de que cada canto pode esconder algo único.
Progressão sólida, com algumas repetições
O sistema de progressão é claro e funcional.
A árvore de habilidades oferece melhorias relevantes e permite adaptar o estilo de jogo. A evolução sente-se, e isso é importante num jogo deste género.
A recolha de recursos, crafting e caça encaixam bem no loop de gameplay. Fazem sentido dentro do mundo e reforçam a sensação de sobrevivência.
No entanto, também contribuem para algum grind. Nada que arruÃne a experiência, mas suficiente para se notar ao longo do tempo.
As side quests seguem uma lógica semelhante. Algumas são interessantes, expandem o lore e aprofundam personagens. Outras existem mais para preencher do que para marcar.
Veredicto
Revisitar Horizon Zero Dawn foi mais do que nostalgia. Foi perceber que, apesar de algumas limitações, o jogo continua a funcionar onde mais importa.
A narrativa mantém-se forte, o combate continua a ser um dos melhores do género e o mundo, apesar de algumas falhas na exploração, continua a impressionar.
A versão PC é, sem dúvida, a forma definitiva de experienciar esta história. Mais fluida, mais estável e tecnicamente superior, dá nova vida a uma aventura que já era marcante.
Não é perfeito. Mas também não precisa de ser.
Porque no final, o que fica é simples. Algumas jornadas merecem mesmo ser revisitadas.
E a de Aloy continua a ser uma delas.
FINAL SCORE: 7.9/10
Plataforma de Review: PC
