Discolored | Um Puzzle Criativo Que Fica Pela Superfície

Há qualquer coisa de especial em ir buscar indies que ninguém anda a falar. Às vezes não encontras nada de mais… outras vezes levas com uma surpresa. Discolored foi dessas.

É um jogo pequeno, direto e assumidamente pensado para ser terminado de uma vez só. E logo pela premissa percebe-se que não é mais um puzzle genérico. A ideia de devolver cor a um mundo completamente desbotado é simples, mas tem aquele toque de originalidade que chama a atenção.

O problema é que, apesar de começar forte, nem tudo acompanha essa primeira impressão.

Puzzles criativos… mas nem sempre claros

A base de Discolored está nos seus puzzles.

A mecânica principal gira em torno de devolver cor ao mundo, interagindo com objetos e percebendo como tudo se liga. Em certos momentos, és até obrigado a fazer o contrário, retirar cor para conseguir avançar, o que cria uma dinâmica interessante e pouco comum.

Existe claramente uma intenção de fazer o jogador pensar fora da caixa. E quando funciona, funciona bem. Há soluções que dão aquela sensação de “ok, isto foi inteligente”.

No entanto, nem todos os puzzles acertam. Alguns são tão pouco intuitivos que acabam por perder lógica. Em vez de sentires que estás a resolver algo com base em pistas, parece mais tentativa e erro.

Ainda assim, no geral, o jogo mantém um equilíbrio aceitável. Não é demasiado fácil, mas também não se torna frustrante durante muito tempo.

Uma direção artística que carrega a experiência

Se há algo que realmente eleva Discolored, é o seu aspeto visual.

O estilo minimalista funciona perfeitamente aqui. Começar num mundo completamente a preto e branco e, aos poucos, ver tudo a ganhar cor cria um impacto imediato. Não é só uma mudança estética, é algo que sentes como progressão.

Existe uma satisfação clara em devolver vida ao cenário. Cada nova cor adicionada faz o mundo parecer mais completo, mais vivo. É uma ideia simples, mas muito bem executada.

A banda sonora reforça esse ambiente. Tem um tom misterioso, quase estranho, que encaixa bem na experiência. Nunca se torna demasiado presente, mas ajuda a criar uma identidade.

É facilmente o ponto mais memorável do jogo.

Uma narrativa que levanta mais perguntas do que respostas

Onde Discolored falha mais é na narrativa.

Existe uma história, mas é vaga. Demasiado vaga. O jogo sugere coisas, deixa pistas, cria algum mistério… mas raramente entrega respostas concretas.

No final, ficas com mais perguntas do que certezas. Em alguns casos, isso pode ser interessante. Aqui, acaba por parecer falta de desenvolvimento.

Saber que existe uma sequela em desenvolvimento dá alguma esperança de que este lado seja mais explorado no futuro. Mas, olhando apenas para esta experiência, fica claramente aquém do que podia ser.

Uma experiência curta, mas com identidade

Discolored não se prolonga mais do que devia.

A curta duração joga a seu favor, porque evita que os problemas se tornem demasiado evidentes. Ao mesmo tempo, também impede o jogo de aprofundar as suas ideias.

É uma experiência que se faz bem numa tarde. Não exige muito tempo, nem um grande compromisso. Entras, exploras, resolves os puzzles e segues em frente.

Mas também é daquelas que dificilmente vais revisitar.

Veredicto

Discolored é um jogo com uma ideia interessante e uma identidade visual forte, mas que não consegue desenvolver todo o seu potencial.

Os puzzles são criativos, mas inconsistentes. A narrativa levanta curiosidade, mas não entrega respostas. E a experiência, apesar de sólida, acaba por ser algo superficial.

Ainda assim, para quem gosta de indies diferentes e experiências mais curtas, é uma boa forma de passar algumas horas.

Só não esperes algo que vá muito além disso.

FINAL SCORE: 5.6/10
Plataforma de Review: Nintendo Switch

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