BioShock não é só bom. É daqueles jogos que te fazem perceber porque é que este meio pode ser tão especial.
Um mundo que te prende desde o primeiro momento
Rapture não é apenas um cenário. É uma ideia, uma filosofia, um mundo que parece ter existido muito antes de tu lá chegares.
Desde o primeiro contacto, há uma sensação constante de desconforto. Tudo parece errado, mas ao mesmo tempo fascinante. A forma como o jogo constrói este ambiente, através de áudio, mensagens espalhadas pelo mapa e pequenos detalhes, é simplesmente brilhante.
Não te dá tudo de uma vez. Vai deixando pistas, fragmentos, pequenas peças de um puzzle maior que vais montando ao longo da experiência. E isso faz com que estejas sempre atento, sempre curioso.
Há poucos jogos que conseguem criar um mundo tão marcante. Rapture não se esquece facilmente.
Uma narrativa que continua a ser referência
A história de BioShock é, sem exagero, uma das melhores da indústria.
A forma como se vai revelando é o que realmente a distingue. Não há exposição forçada, não há momentos em que o jogo para só para te explicar tudo. Em vez disso, vais descobrindo, ligando pontos, percebendo o que está realmente a acontecer.
E quando chega aquele momento… quem sabe, sabe. É daqueles que ficam contigo.
Ao longo da campanha, houve várias alturas em que simplesmente parei, a tentar processar o que estava a ver. Não é só a qualidade da escrita, é a forma como o jogo te envolve nela.
Mesmo hoje, continua a ser um exemplo de como contar uma história num videojogo.
Jogabilidade que reforça a tensão
A jogabilidade acompanha bem o ambiente.
Existe sempre uma sensação de perigo. Nunca te sentes totalmente seguro, e isso mantém a tensão constante. Em dificuldades mais elevadas, essa pressão aumenta ainda mais, tornando a experiência por vezes exigente.
Mas essa exigência nunca parece injusta. Faz parte do mundo, faz parte da forma como o jogo quer que te sintas. Cada combate, cada decisão, tem peso.
Pode haver momentos de frustração, especialmente para quem não está habituado, mas a recompensa está sempre lá. E vale a pena.
Um port surpreendentemente sólido
Jogar BioShock na Nintendo Switch podia levantar algumas dúvidas. Mas a verdade é que o jogo aguenta-se muito bem.
Visualmente, mantém-se consistente e o ambiente continua a ter impacto. Não é uma versão que impressiona tecnicamente quando comparada com plataformas mais fortes, mas nunca compromete a experiência.
O som, que é uma parte essencial do jogo, mantém-se eficaz e ajuda a preservar toda a atmosfera de Rapture.
No geral, é um port sólido que permite viver esta experiência de forma completa.
Veredicto
BioShock é um daqueles jogos que todos deviam jogar pelo menos uma vez.
Não só pela sua história, mas pela forma como a conta. Pela forma como constrói o mundo. Pela forma como te faz sentir parte dele.
Pode não ser perfeito em todos os aspetos, mas aquilo que faz bem, faz a um nível que poucos conseguem alcançar.
E no final, fica aquela vontade imediata de continuar. De explorar mais. De perceber tudo.
Porque quando entras em Rapture… já não sais da mesma forma.
FINAL SCORE: 8.8/10
Plataforma de Review: Nintendo Switch
